O estudo “O Brasil que investe” encomendado pela B3 e conduzido pela Bridge Research, investiga o comportamento, hábitos, emoções, desejos e o grau de conhecimento sobre finanças dos investidores brasileiros. A pesquisa visa adicionar novos dados e contextualizar o conhecimento sobre investidores e investimentos.
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Introdução e Metodologia
O estudo foi estruturado a partir de nove perfis de investidores organizados pela B3, baseados em dados sobre operações financeiras e produtos em carteira, aos quais foram somados perfis de poupadores exclusivos e investidores exclusivos de criptomoedas. A metodologia envolveu uma fase qualitativa com 33 entrevistas em profundidade e uma fase quantitativa com 2.614 questionários respondidos online entre 13 de setembro e 25 de outubro de 2023. Os participantes foram brasileiros com 18 anos ou mais, das classes A, B e C, com pelo menos um ativo, e o grau de confiabilidade da pesquisa é de 95%.
O estudo revela que o investimento expressa parte da personalidade, desejos, sonhos e até a disponibilidade de tempo de cada investidor. As motivações comuns que unem os investidores são a busca por segurança, a criação de uma reserva financeira e a preparação para o futuro. A rentabilidade, o desejo por retornos superiores aos da poupança, e a geração de renda passiva também são motivações comuns a todos os perfis.
Perfis e Comportamento do Investidor
A B3 definiu nove perfis que representam diferentes comportamentos e relações com os produtos financeiros.
O perfil mais representativo é o Foco em Previsibilidade, com 43% dos investidores, concentrando a maior parte do capital em títulos de renda fixa, como o CDB (94%). Este perfil se considera iniciante (52%) e não se reconhece como investidor, pois acredita que essa descrição se aplica apenas a quem tem muito capital.
Em contrapartida, o perfil Sofisticado nos Investimentos representa 4% dos investidores, destacando-se por ser altamente diversificado (99% diversificaram) e muito ativo na gestão de seus ativos (83%). Esse perfil investe amplamente em Ações (98%) e Fundos Imobiliários (84%), com foco principal na aposentadoria (37%).
Outros perfis importantes incluem Minha Conta é Meu Investimento (21%), que aplica automaticamente em renda fixa (60% RDB e 41% CDB) sem reconhecer essa operação como um investimento; e o Day Trader (1%), o mais tolerante ao risco (61%) e o mais ativo na gestão (82%), buscando ganhos rápidos no mesmo dia da operação.
Em relação a grupos específicos, mulheres investidoras representam apenas 16% do total, mas seu primeiro investimento é mais do que o dobro do realizado pelos homens (mediana de R$ 167 contra R$ 62). Já os jovens (até 24 anos) são, em geral, mais abertos à possibilidade de explorar novos investimentos (71%).
Desafios e Conclusão
O maior desafio citado pelos investidores é avaliar e gerenciar os riscos dos investimentos (57%). Outras dificuldades comuns incluem decidir o momento ideal de compra ou venda (40%) e entender as informações financeiras (38%). A diversificação é uma motivação importante para reduzir riscos, mas esbarra na dificuldade de encontrar produtos adequados para diferentes níveis de experiência.
Em geral, o estudo conclui que, apesar de o investidor brasileiro apresentar cautela (como nos perfis de renda fixa), ele não é conservador, demonstrando interesse em inovar e gerir ativamente seus investimentos. A iniciativa da B3 busca ampliar a cultura de investimentos, oferecendo insights valiosos para empresas que buscam desenvolver produtos e serviços adequados às necessidades e preferências desse público.
